Quanto cobrar no eletroposto: como definir o preço do kWh
A resposta curta
O preço do kWh no seu eletroposto fica entre um piso e um teto. O piso sai da sua conta: custo da energia, taxa da plataforma de pagamento e custos fixos divididos pelos kWh do mês. O teto sai do que o motorista compara: os eletropostos ao redor e o tipo de recarga. Entre os dois, o preço por horário enche as horas vazias sem baixar a margem das cheias.
A ANEEL deixa o preço livre. A conta não deixa. Como achar o piso, o teto e o preço de cada horário, sem chute.
O preço do kWh é a decisão que o dono do eletroposto mais adia e mais chuta. Ele costuma nascer copiado do vizinho no dia da inauguração e ficar igual por meses. Este texto mostra como chegar a um preço com a sua conta: o piso, abaixo do qual cada recarga dá prejuízo, o teto, acima do qual o motorista vai embora, e o preço de cada horário entre os dois. Os valores são os do seu ponto. Aqui está o método.
Se você procura quanto custa carregar como motorista, o texto certo é preço do kWh em eletroposto.
O preço é livre, e é seu
Pela ANEEL, qualquer interessado pode fazer recarga de veículos elétricos, inclusive para exploração comercial com preços livremente negociados. As regras estão no Capítulo V da Resolução Normativa nº 1.000/2021 (página da ANEEL sobre veículos elétricos). Não há tabela oficial. O que existe é a obrigação de informar: o Código de Defesa do Consumidor garante ao cliente informação adequada e clara sobre o preço do serviço (Lei 8.078/1990, art. 6º, III). O motorista precisa ver quanto vai pagar antes de começar a recarga. Imposto sobre a recarga é assunto para o contador, e as respostas das Fazendas paulista e paranaense sobre o ICMS da recarga, junto com o que ainda falta para sustentar o ISS, estão reunidas no blog da Velquia: eletroposto paga ICMS ou ISS?.
O piso: quanto custa cada kWh que você vende
O piso é a soma de três custos, todos por kWh.
1. A energia
É o maior custo e o que mais varia de um ponto para outro, porque depende de como o imóvel compra energia. A ANEEL divide as unidades consumidoras em dois grupos (modalidades tarifárias):
- Grupo B, baixa tensão: a modalidade convencional tem uma tarifa única o dia todo. A tarifa branca, disponível também para comércio e serviços, tem três valores nos dias úteis (ponta, intermediário e fora de ponta) e cobra o valor fora de ponta nos fins de semana e feriados nacionais.
- Grupo A, média e alta tensão: as modalidades horárias verde e azul cobram o consumo por posto tarifário e cobram também a demanda de potência. Num ponto com carregador rápido, a demanda pesa na conta mesmo no mês de pouco uso.
Para achar o custo da energia por kWh, divida o valor da conta que cabe ao carregador pelos kWh que ele entregou no mês. Se ele divide o medidor com o resto do imóvel, um medidor separado deixa essa conta exata. Créditos de energia de geração distribuída, previstos na Lei 14.300/2022, são um caminho para baixar esse número. Nos nossos pontos usamos créditos de energia de geração solar, com custo por kWh menor que a tarifa da distribuidora.
2. A taxa da plataforma de pagamento
Quem libera a recarga e recebe do motorista costuma ficar com uma parte de cada venda, em percentual, em valor fixo por sessão ou nos dois. Ela sai do preço que o motorista paga, e por isso entra na conta de outro jeito, como você vai ver na fórmula.
3. Os custos fixos do mês
Manutenção, conexão de internet do carregador, aluguel ou cessão da vaga, seguro e o que mais o ponto pague todo mês, use ou não use. Divida o total pelos kWh vendidos no mês. Esse custo por kWh cai quando o ponto vende mais, e é por isso que um ponto ocioso precisa de preço mais alto para empatar.
A fórmula do piso
Com E para o custo da energia por kWh, F para os custos fixos do mês divididos pelos kWh do mês e T para a taxa percentual da plataforma:
preço mínimo = (E + F) ÷ (1 − T)
Se a plataforma também cobra um valor fixo por sessão, divida esse valor pelos kWh médios de uma sessão e some ao F. Abaixo do preço mínimo, cada kWh vendido dá prejuízo. A margem é o que você põe acima dele. A conta completa do resultado do mês está em quanto rende um eletroposto.
O teto: o que o motorista compara
Quem dirige elétrico olha o preço no app antes de sair, e compara. O teto do seu preço sai de três comparações:
- Os eletropostos ao redor: preço, potência, conector e se estão livres ou com fila. Um vizinho mais barato e com a mesma potência a poucos minutos puxa o motorista que não tem motivo para parar no seu local.
- O tipo de recarga: a recarga rápida DC entrega carga útil no tempo de uma pausa e é cobrada como tal. A recarga lenta AC compete com a tomada de casa. A diferença entre as duas está em carregamento rápido ou lento.
- O que o local oferece: banheiro, café, segurança, cobertura, horário de funcionamento. A espera faz parte do que o motorista compara, e um local confortável sustenta um preço que um ponto isolado não sustenta.
Se o piso fica acima do teto, o problema não é o preço. É o custo, e a conversa passa a ser energia, custos fixos ou a taxa da plataforma.
Entre o piso e o teto: preço por horário
Um preço único trata igual a hora de fila e a madrugada vazia. Olhe os horários das sessões de um mês. Se há horas cheias e horas vazias, dois ou três preços resolvem melhor que um:
- Nas horas cheias, o preço perto do teto. O motorista já vem.
- Nas horas vazias, um preço menor, como a tarifa noturna, para atrair quem pode escolher a hora de carregar: motorista de aplicativo, quem mora perto, frota que roda de dia.
- Se a sua conta de luz é horária, confira em que faixa caem os postos de ponta da sua distribuidora. Preço baixo justo na ponta vende a energia mais cara pelo menor valor.
O preço da hora vazia só funciona se continuar acima do piso daquele horário.
Outras formas de cobrar
O kWh é a forma mais transparente para o motorista, porque ele paga pela energia que entrou na bateria. Há outras, que podem entrar junto:
- Tempo de ocupação depois da recarga: um valor por minuto quando a bateria já encheu e o carro continua na vaga. Serve para liberar o carregador, não para faturar.
- Valor fixo por sessão: cobre o custo fixo de cada recarga curta.
- Planos para quem volta: um motivo para o motorista da região escolher o seu ponto toda semana.
A versão 2.1 do OCPP, protocolo entre carregador e sistema de gestão, prevê sessões com custo fixo, por energia ou por tempo (Open Charge Alliance). Na prática, o que você consegue cobrar depende da sua plataforma de pagamento: pergunte a ela antes de anunciar. Qualquer que seja a regra, ela precisa estar clara para o motorista antes da sessão.
Quando rever o preço
- A conta de luz mudou de valor ou de modalidade.
- Um eletroposto abriu ou mudou de preço perto do seu.
- As horas vazias continuam vazias mesmo com o preço menor.
- A taxa da plataforma de pagamento mudou.
Antes de baixar o preço para atrair gente, confira se o problema é mesmo o preço. Carregador que para sem você saber, ponto difícil de achar e falta de atendimento afastam o motorista com qualquer preço. As seis causas mais comuns estão em eletroposto com pouco uso.
Onde a Elektro Charge entra
Na gestão de eletropostos da Elektro Charge, o preço sai dos dados. A plataforma em que operamos a nossa rede acompanha a ocupação por dia e horário, as recargas e os horários de pico dos eletropostos ao redor do seu, e o estudo do ponto ajusta preço e horário pelos dados de uso do seu carregador, com tarifa por horário, como a noturna, e planos e indicação para o motorista voltar. O caminho para uma energia mais barata entra no mesmo estudo. A rotina completa de quem opera um ponto está em gestão de eletroposto, e os nossos pontos estão em pontos de recarga.
O preço do seu ponto saiu de uma conta ou de um chute?
Conte onde está o carregador e como ele opera hoje. A gente olha os números com você e responde se faz sentido. E, se não fizer, também diz.
Conhecer a gestão de eletropostos →Perguntas frequentes
Existe preço tabelado para recarga de carro elétrico?
Não. Pela ANEEL, qualquer interessado pode fazer recarga de veículos elétricos, inclusive para exploração comercial com preços livremente negociados (Resolução Normativa nº 1.000/2021, Capítulo V). Quem vende a recarga define o preço.
Como calcular o preço mínimo do kWh no meu eletroposto?
Some o custo da energia por kWh e os custos fixos do mês divididos pelos kWh vendidos no mês. Depois divida o resultado por um menos a taxa percentual da plataforma de pagamento. Abaixo desse valor, cada kWh vendido dá prejuízo.
Vale a pena cobrar preço diferente por horário?
Costuma valer quando o ponto tem horas cheias e horas vazias. Um preço menor nas horas vazias, como a tarifa noturna, atrai motoristas para esse horário sem mexer na margem das horas cheias. Se a sua conta de luz é horária, o preço por horário também acompanha o custo da energia.
Posso cobrar pelo tempo parado depois da recarga?
A forma de cobrança é decisão de quem vende a recarga, e a regra precisa estar clara para o motorista antes da sessão, como pede o Código de Defesa do Consumidor. Cobrar pelo tempo de ocupação depois que a bateria encheu é uma forma de liberar a vaga. Confira se a sua plataforma de pagamento oferece esse tipo de tarifa.
Baixar o preço aumenta o faturamento?
Só quando o preço é o que afasta o motorista. Se o ponto para com frequência, é difícil de achar ou não tem atendimento, preço menor apenas reduz a margem das sessões que já acontecem. Confira essas causas antes de mexer no preço.
