Eletroposto vale a pena? O que olhar antes de investir
A resposta curta
Vale a pena quando o local já recebe motoristas que ficam parados por um tempo, a energia chega até a vaga sem uma obra que consuma o retorno, o kWh comprado deixa margem e alguém cuida do ponto todo dia. Se uma dessas quatro condições falha, o carregador tende a ficar ocioso. A resposta sai do estudo do local, antes de comprar o equipamento.
O mercado de recarga cresce rápido, e a concorrência também. Seis perguntas para fazer antes de comprar o carregador.
Quem pensa em abrir um eletroposto costuma começar pelo equipamento: qual carregador, de quantos kW, de qual marca. As perguntas que decidem o negócio vêm antes. Onde fica o ponto, se a energia chega até a vaga e quem vai cuidar dele depois que ligar. Este texto reúne as seis perguntas que fazemos antes de recomendar um ponto, e os sinais de que a resposta é não.
O mercado cresce, e a concorrência também
Em agosto de 2026 o Brasil tinha 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos, 76,9% a mais que um ano antes, segundo o levantamento da ABVE com a plataforma Tupi. A recarga rápida em corrente contínua (DC) já responde por 38,2% da rede. O Paraná aparece com 2.513 pontos, e Curitiba com 796.
A frota cresce junto. O mesmo levantamento conta 639.133 carros plug-in (100% elétricos e híbridos plug-in) emplacados de 2022 a agosto de 2026, ou 21,4 veículos por ponto de recarga. E os eletrificados, somando elétricos e híbridos, chegaram a 21,8% das vendas do mercado automotivo brasileiro em agosto de 2026, segundo a ABVE.
Os dois números contam a mesma história por lados diferentes. Há mais motoristas procurando recarga, e há mais pontos disputando cada um deles. Quem abre um eletroposto hoje entra num mercado em alta com vizinhos que também estão abrindo, e por isso o lugar e a operação pesam mais que o carregador.
Qualquer um pode vender recarga
Pela ANEEL, qualquer interessado pode fazer recarga de veículos elétricos, inclusive para exploração comercial com preços livremente negociados. As regras estão no Capítulo V da Resolução Normativa nº 1.000/2021, que substituiu a primeira norma do tema, de 2018 (página da ANEEL sobre veículos elétricos).
Você define o seu preço. O vizinho define o dele, e o motorista compara os dois antes de sair de casa.
As seis perguntas antes de investir
1. O motorista já passa ou já para aqui?
Uma recarga leva tempo, e o motorista fica parado enquanto o carro carrega. O ponto rende onde esse tempo cabe em algo que ele já faria: abastecer, almoçar, fazer compras, esperar o fim de um turno. Um lugar escondido, de acesso difícil ou fora do caminho depende de o motorista desviar só para carregar, e isso acontece pouco quando existe outro ponto a alguns minutos.
2. A energia chega até a vaga?
Um carregador rápido pede uma potência que nem todo imóvel tem sobrando. Pode ser preciso aumentar a carga contratada, trocar a entrada de energia ou pedir obra à distribuidora, e cada uma dessas coisas tem custo e prazo. Para a ABVE, o gargalo do setor hoje está justamente no prazo e nas condições de conexão de cargas novas à rede. No mesmo levantamento, a associação registra que a ANEEL abriu, em 10 de setembro de 2026, a Consulta Pública 033/2026 para revisar essas regras de conexão.
Peça o levantamento da instalação elétrica antes de escolher o carregador. O tamanho do equipamento sai da energia disponível.
3. Quanto vai custar o kWh que você compra?
Cada kWh que o carregador entrega foi comprado antes, e a diferença entre o preço de venda e esse custo é a margem de cada sessão. Pagar a tarifa cheia da distribuidora aperta essa margem. Um caminho para baixar o custo são os créditos de energia de geração distribuída, previstos na Lei 14.300/2022, que criou o Sistema de Compensação de Energia Elétrica. Nos nossos pontos usamos créditos de energia de geração solar, com custo por kWh menor que a tarifa da distribuidora.
4. Qual potência e qual conector?
A potência acompanha o tempo de parada. Onde a parada é curta, como num posto ou numa conveniência, a recarga rápida DC faz sentido. Onde o carro fica horas, como num hotel ou num pátio de empresa, um carregador AC pode bastar e custa menos. Os carregadores DC da nossa rede têm 60 e 80 kW, com conector CCS2. A diferença entre os dois tipos de recarga está em carregamento rápido ou lento.
5. Quem já está ao redor?
Olhe os eletropostos a poucos minutos do local: quantos são, de que potência, que horário cumprem e quanto ficam ocupados. Um vizinho com DC livre a maior parte do dia indica pouca demanda na região. Um vizinho com fila indica demanda que ainda não foi atendida. Leve essa pergunta para a conversa antes de investir.
6. Quem vai operar o ponto?
Depois de ligado, o eletroposto pede trabalho todo dia. Alguém precisa saber quando ele para, atender o motorista que não consegue iniciar a recarga, ajustar preço e horário e conferir o repasse do meio de pagamento. Carregador parado não gera sessão, e muitas vezes o dono só descobre a parada quando o motorista reclama (veja o que checar quando o eletroposto para). Decida quem faz esse trabalho antes de comprar, porque ele entra na conta tanto quanto a energia.
A conta, antes do carregador
O resultado do mês sai de cinco números: sessões por dia, kWh por sessão, preço do kWh, custo da energia e a parte de quem opera a plataforma. A fórmula está em quanto rende um eletroposto. Para saber em quanto tempo o investimento volta, some ao lado o que se gasta uma vez:
- o carregador;
- a obra elétrica e, se for preciso, a adequação da entrada de energia;
- o projeto e a vistoria do local (desde fevereiro de 2026 vale uma diretriz nacional dos Corpos de Bombeiros para pontos de recarga, segundo a ABVE);
- a sinalização e a preparação da vaga.
Se o investimento só se paga com um número de sessões por dia que nenhum ponto vizinho atinge, a conta está dando um aviso. Para ver o que sobra no fim do mês depois de energia, imposto, aluguel e manutenção, o blog da Velquia traz a conta de um exemplo ilustrativo: eletroposto dá lucro, a conta do que sobra no fim do mês.
Quando a resposta é não
Às vezes o estudo recomenda não investir, ou investir de outro jeito. Os sinais mais comuns:
- o motorista não tem motivo para parar no local, e o vizinho fica mais perto da rota;
- a energia só chega à vaga com uma obra que o movimento esperado não paga;
- o ponto depende de preço baixo para atrair gente, e a energia comprada não deixa margem;
- ninguém vai acompanhar o carregador no dia a dia.
Quem tem o espaço e prefere não investir pode ceder a vaga para uma empresa que instala e opera o ponto. É o modelo das parcerias da Elektro Charge.
Onde a Elektro Charge entra
Na nossa rede já foram mais de 4.300 recargas e mais de 100.000 kWh entregues. Para quem quer montar o próprio ponto, fazemos consultoria de viabilidade: analisamos o local, a potência disponível, o custo e o retorno antes de você investir. As outras perguntas deste texto, como os vizinhos e o custo da energia, entram na conversa. Se o ponto não fizer sentido, a gente diz.
Vai investir num eletroposto?
Conte onde fica o local e o que você pensa em instalar. A gente responde se faz sentido. E, se não fizer, também diz.
Falar com a Elektro Charge →Perguntas frequentes
Eletroposto vale a pena?
Vale quando o local recebe motoristas que ficam parados por um tempo, a energia chega à vaga sem uma obra que consuma o retorno, o kWh comprado deixa margem e alguém cuida do ponto todo dia. A resposta depende do local, por isso o estudo vem antes do equipamento.
Preciso de autorização para cobrar pela recarga?
A ANEEL permite que qualquer interessado faça recarga de veículos elétricos, inclusive para exploração comercial com preço livremente negociado. As regras estão no Capítulo V da Resolução Normativa nº 1.000/2021. Projeto elétrico, ligação com a distribuidora e vistoria do local seguem à parte.
Quanto custa abrir um eletroposto?
Depende do carregador, da energia disponível no local e da obra para levá-la até a vaga. Por isso o orçamento confiável sai depois do levantamento elétrico. Começar pelo preço do equipamento deixa a obra fora da conta.
Carregador rápido (DC) ou lento (AC)?
Depende do tempo que o motorista passa no local. Em parada curta, como posto ou conveniência, a recarga rápida DC faz sentido. Onde o carro fica horas, como hotel ou pátio de empresa, um carregador AC pode bastar.
A Elektro Charge faz estudo de viabilidade de eletroposto?
Sim. Na consultoria de viabilidade, analisamos o local, a potência disponível, o custo e o retorno antes de você investir. Se o ponto não fizer sentido, a gente diz.
