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Por Negócios7 min de leitura

Energia solar para eletroposto: como baixar o custo do kWh

A resposta curta

A energia solar entra no eletroposto de três jeitos: painéis no próprio local, uma usina em outro endereço do mesmo titular (autoconsumo remoto) ou a participação numa geração compartilhada. Nos três, a energia injetada na rede vira crédito pelo Sistema de Compensação da Lei 14.300/2022 e abate o consumo, inclusive o da recarga feita à noite. O ganho depende da tarifa, da regra de transição da lei e de quanto o ponto consome.

Cada kWh que o carregador vende foi comprado antes. O custo dessa energia decide a margem de cada sessão, e a geração solar é o caminho mais usado para baixá-lo.

O custo que mais pesa num eletroposto não é o carregador, que se paga uma vez. É a energia, que se paga a cada sessão. Cada kWh que o motorista leva foi comprado antes, e a diferença entre o preço de venda e esse custo é a margem do ponto. Pagar a tarifa cheia da distribuidora aperta essa margem. Este texto mostra as três formas de usar energia solar num eletroposto, o que a Lei 14.300/2022 mudou na conta e o que perguntar antes de contratar.

Por que a energia decide a margem

O resultado do mês sai de cinco números: sessões por dia, kWh por sessão, preço do kWh, custo da energia e a parte de quem opera a plataforma (a fórmula está em quanto rende um eletroposto). Dos cinco, o custo da energia é o único que multiplica todo kWh vendido. Baixá-lo melhora todas as sessões de uma vez, sem mexer no preço que o motorista vê.

Como funciona o crédito de energia

A Lei 14.300/2022 criou o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE). Nele, a energia gerada por micro ou minigeração distribuída e injetada na rede é cedida à distribuidora como empréstimo gratuito e depois compensada com o consumo, ou guardada como crédito (art. 1º, XIV).

Para o eletroposto, isso resolve o descompasso de horário. Os painéis geram de dia, e o carregador também é usado quando não há sol. Com a compensação, a energia gerada ao meio-dia abate o consumo do carregador às dez da noite.

A lei define as faixas pela potência da usina: microgeração vai até 75 kW, e minigeração, acima disso, até 3 MW para fontes não despacháveis como a solar (art. 1º, XI e XIII).

As três formas de usar energia solar

1. Painéis no próprio local

A usina fica no telhado ou na cobertura do estacionamento, na mesma unidade consumidora do carregador. É a forma mais direta, e a cobertura com painéis ainda protege a vaga do sol e da chuva. O limite é o espaço. Compare o que a área disponível gera com o que o carregador deve consumir no mês: se a geração ficar abaixo do consumo, o painel reduz a parte comprada sem cobrir tudo.

2. Autoconsumo remoto

A usina fica em outro endereço, e os créditos vão para a unidade do eletroposto. A lei exige que as unidades sejam da mesma pessoa jurídica, incluindo matriz e filial, ou da mesma pessoa física, e que todas sejam atendidas pela mesma distribuidora (art. 1º, II). Serve para quem tem um terreno ou outro imóvel com espaço para gerar mais.

3. Geração compartilhada

Consumidores se reúnem em consórcio, cooperativa, condomínio ou outra associação para dividir a energia de uma usina, todos atendidos pela mesma distribuidora (art. 1º, X). Para o dono do eletroposto, é o caminho para ter créditos sem construir usina própria: ele recebe uma parte da energia gerada e paga por ela nas condições combinadas.

Nos nossos pontos usamos créditos de energia de geração solar, com custo por kWh menor que a tarifa da distribuidora.

O que a Lei 14.300 mudou na conta

Antes da lei, a compensação abatia todas as componentes da tarifa, regra que o art. 26 preserva para os sistemas antigos. Para os sistemas novos, uma parte das componentes ligadas à rede de distribuição (a remuneração dos ativos, a depreciação e o custo de operação e manutenção da distribuidora, o que o mercado chama de fio B) passou a incidir sobre a energia compensada, numa escada definida no art. 27:

A partir de Parte das componentes de distribuição cobrada sobre a energia compensada
202315%
202430%
202545%
202660%
202775%
202890%
2029regra definida pela ANEEL (art. 17)

Os sistemas que já existiam na publicação da lei, ou que pediram acesso à distribuidora em até 12 meses depois dela, ficam nas regras antigas até 31 de dezembro de 2045 (art. 26). Na prática, um crédito novo vale menos que a tarifa cheia, e a diferença cresce até 2028. A conta de um projeto solar para eletroposto precisa usar o ano em que ele vai gerar, não a regra de quando a lei foi aprovada.

A demanda, a parte que o crédito não resolve sozinho

Um carregador rápido pode levar o imóvel para a média tensão. Pela regra geral da REN 1.000/2021 da ANEEL (art. 23), a unidade com carga instalada acima de 75 kW é ligada no Grupo A. A norma recebe atualizações: vale a versão vigente, que se confere no site da ANEEL. Nesse grupo, a fatura tem a energia consumida e também a demanda contratada, em linhas separadas. Peça que a simulação do projeto solar mostre as duas, para não comparar um crédito de energia com uma conta que tem outro custo fixo ao lado. O que muda no orçamento com a média tensão está em quanto custa instalar um eletroposto. Há um texto no blog da Velquia sobre como estimar a demanda contratada e evitar a ultrapassagem: demanda contratada de eletroposto, como calcular e evitar a ultrapassagem.

O que perguntar antes de contratar

  • Quanto o ponto consome por mês hoje, ou quanto deve consumir? O projeto solar sai desse número.
  • A usina e o eletroposto são atendidos pela mesma distribuidora?
  • A simulação usa a regra de transição do ano em que a usina vai gerar?
  • Na geração compartilhada, qual o preço do kWh do crédito, por quanto tempo e o que acontece se você quiser sair?
  • A simulação separa energia e demanda contratada?
  • Quem acompanha se os créditos estão chegando todo mês na conta do ponto?

Quem procura solar para carregar o próprio carro em casa encontra a conta do motorista em energia solar e carro elétrico.

Onde a Elektro Charge entra

Na nossa rede já foram mais de 4.300 recargas e mais de 100.000 kWh entregues. Para quem quer montar o próprio ponto, a consultoria de viabilidade analisa o local, a potência disponível, o custo e o retorno antes de você investir. As outras perguntas antes da compra estão em eletroposto vale a pena?.

Quer saber quanto a energia pesa no seu ponto?

Conte onde fica o local e o que você pensa em instalar. A gente responde se faz sentido. E, se não fizer, também diz.

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Perguntas frequentes

Dá para usar energia solar num eletroposto?

Dá, de três jeitos: painéis no próprio local, uma usina em outro endereço do mesmo titular (autoconsumo remoto) ou a participação numa geração compartilhada. Nos três, a energia injetada na rede vira crédito pelo Sistema de Compensação de Energia Elétrica da Lei 14.300/2022 e abate o consumo do ponto.

O eletroposto pode carregar à noite com energia solar?

Pode, pelo sistema de compensação. A energia gerada de dia e injetada na rede é cedida à distribuidora como empréstimo e depois compensada com o consumo da unidade, inclusive o da recarga feita à noite. As regras de compensação seguem a Lei 14.300/2022 e a regulação da ANEEL.

Os créditos de energia solar zeram a conta do eletroposto?

Em geral, não. Pela regra de transição da Lei 14.300/2022 (art. 27), para sistemas novos uma parte crescente das componentes da tarifa ligadas à rede de distribuição incide sobre a energia compensada: 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. E, se o ponto for ligado em média tensão, a demanda contratada é outra linha da fatura.

A usina solar precisa ficar no mesmo endereço do eletroposto?

Não. No autoconsumo remoto, a usina fica em outro endereço da mesma pessoa jurídica, incluindo matriz e filial, ou da mesma pessoa física. Na geração compartilhada, consumidores se reúnem em consórcio, cooperativa ou outra associação. Nos dois casos, todas as unidades precisam ser atendidas pela mesma distribuidora.

A Elektro Charge usa energia solar nos seus pontos?

Sim. Nos nossos pontos usamos créditos de energia de geração solar, com custo por kWh menor que a tarifa da distribuidora.

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